A Polícia Civil do Rio Grande do Sul e outras forças de segurança brasileiras prenderam 4 suspeitos de integrar uma quadrilha que aplicava fraudes online usando deepfakes — vídeos e imagens gerados por inteligência artificial que reproduziam celebridades (como Gisele Bündchen) em anúncios falsos no Instagram para atrair vítimas e promover compras ou sorteios fraudulentos. A ação identificou mais de R$ 20 milhões em fundos suspeitos ligados ao esquema e teve apoio técnico de órgãos de investigação e da agência federal de inteligência financeira (COAF).
A investigação policial está em curso e envolve crimes de estelionato eletrônico, lavagem de dinheiro e publicidade enganosa com uso de tecnologia IA. As ordens de prisão e congelamento de ativos foram cumpridas em múltiplos estados brasileiros, e os investigados podem responder por crimes previstos no Código Penal e na legislação específica de fraudes eletrônicas.
O uso de identificação falsa ou manipulada por meio de tecnologia para induzir terceiros a erro pode, em tese, caracterizar estelionato (§ 1º do art. 171 do Código Penal) e lavagem de dinheiro (Lei 9.613/98), com agravantes pelo uso de sistemas de comunicação digital e tecnologia informática para prática criminosa.
⚠️ Repercussão prática
Cidadãos que viram ou interagiram com anúncios fraudulentos podem ter sido induzidos a enviar valores, mesmo que pequenos — muitos casos não são formalmente denunciados, o que, segundo autoridades, encobre a real dimensão da fraude. Além de perdas financeiras, há riscos de exposição indevida de dados pessoais e possíveis desdobramentos em ações civis por danos.





